A Federação de Agricultura e Pecuária de Rondônia (FAPERON) por meio de sua área técnica e colaboradores voluntários, apresentou uma análise objetiva sobre o ponto de equilíbrio da arroba do boi e a atual distribuição de valor ao longo da cadeia produtiva da carne bovina, com base na realidade econômica da pecuária de corte no Estado.
O estudo foi conduzido pelo consultor em Gestão Estratégica em Agronegócio, Celso Ricardo Ferreira que analisou os sistemas de recria e engorda praticados no Brasil e em Rondônia. A análise incorpora custos reais de produção, tempo de ciclo produtivo, capital imobilizado e risco econômico da atividade. Os dados apontam que o ponto de equilíbrio financeiro da arroba do boi, aponta a necessidade de um valor mínimo necessário para cobrir integralmente os custos da produção – variando entre R$ 308,00 e R$ 372,00 por arroba, conforme o sistema produtivo, a região, o nível tecnológico e a eficiência operacional.
Esses valores não representam lucro ao produtor, mas apenas a recomposição do custo total da atividade. No cálculo estão incluídos custos de reposição (bezerro e recria), alimentação e manejo, sanidade, mão de obra, depreciação de benfeitorias e máquinas, custo da terra, por arrendamento ou custo de oportunidade, além da remuneração mínima do capital investido e do risco produtivo. Preços abaixo desse patamar caracterizam prejuízo econômico, ainda que nem sempre percebido de forma imediata no fluxo de caixa das propriedades.
A elevação do ponto de equilíbrio é resultado de fatores objetivos, como o aumento do ágio da reposição animal, a valorização do arrendamento, a alta dos custos operacionais e a maior exigência de capital ao longo do ciclo produtivo da pecuária de corte. Trata-se de uma análise técnica baseada em dados concretos do setor produtivo.
Em contrapartida, a avaliação da etapa industrial da cadeia evidencia uma assimetria na distribuição de valor. A receita obtida pela indústria frigorífica com a comercialização da carne bovina, considerando cortes primários e secundários, com o aproveitamento integral da carcaça, subprodutos com agregação de valor industrial — ultrapassa R$ 1.000,00 por arroba equivalente no mercado interno e principalmente no externo.
Essa diferença demonstra que, mesmo remunerando o produtor apenas dentro do ponto de equilíbrio, a indústria mantém margens positivas favoráveis. O cenário atual não decorre de inviabilidade industrial, mas de uma distribuição desequilibrada de resultados, na qual o produtor rural assume a maior parte do risco, do capital investido e da volatilidade do mercado, enquanto sua remuneração permanece pressionada.
A zootecnista Cimara Gonzaga, Zootecnista da FAPERON, destaca que, em Rondônia, os custos operacionais dos pecuaristas para produzir uma arroba de carne bovina já se aproximam, em muitos casos dos valores pagos pelos frigoríficos. Em sistemas de produção praticados por pequenos produtores, especialmente com menor escala de oferta e eficiência produtiva nas propriedades, essa relação de venda pode se tornar negativa, comprometendo a sustentabilidade econômica da atividade.
Para o presidente da FAPERON, Hélio Dias, o reequilíbrio financeiro da pecuária de corte passa, no curto prazo pelo fortalecimento do livre comércio, pela ampliação das oportunidades de negócios e pela melhoria da gestão dentro da porteira. Ele ressalta a importância do aumento da produtividade de arrobas por hectare, da redução de custos e do avanço na logística de exportação, com o uso estratégico da Hidrovia do Rio Madeira, conectando Rondônia aos oceanos Atlântico e Pacífico, como forma de reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do setor.
Nesse cenário, a FAPERON reconhece a relevância da redução da alíquota do ICMS para 4% na saída interestadual de animais em pé, medida que contribuiu para o fortalecimento do livre comércio e para a ampliação das alternativas de mercado ao produtor rural rondoniense.
Diante da abertura de novos mercados internacionais e da habilitação de plantas frigoríficas no estado, a Federação de agricultura reforça que este é um momento estratégico para a valorização do pecuarista, fornecedor da matéria-prima da cadeia. O pagamento de um preço justo pela arroba do boi em Rondônia e a adoção de políticas comerciais mais equilibradas por parte das indústrias frigorificas são fundamentais para garantir a sustentabilidade econômica da atividade e o fortalecimento de toda a cadeia produtiva da carne bovina.